Renunciar pode ser um gesto de covardia, onde fugimos
do sacrifício e somos vencidos pelo medo.
Por outro lado, renunciar pode ser um gesto de
grandeza e coragem, quando abrimos mão de algo em favor de uma causa maior.
O que motivou a renúncia do papa Bento XVI?
Dificilmente saberemos. Prefiro imaginar que tenha sido um gesto de grandeza, e
igualmente prefiro convidar a refletirmos sobre as nossas pequenas ou grande
renuncias do dia-a-dia, e no que elas representam.
Um menino estava olhando o desenho predileto na
televisão, quando amigos o convidaram para jogar futebol. Ele ficou em dúvida.
Não sabia o que fazer. Gostava muito de jogar, mas não queria perder o desenho.
Naquele dia ele aprendeu que toda decisão, por menor que seja, implica em uma
renúncia.
No período da Quaresma os cristãos lembram e refletem
sobre os passos de Jesus rumo a Jerusalém e mais especificamente, rumo a cruz.
Jesus sabia que iria ser preso e morrer, e mesmo assim seguiu o seu caminho,
renunciando a glória humana e divina para cumprir o plano de salvação. Pedro o
persuadiu a desistir, tentando convencê-lo a abandonar esse caminho de
sacrifício (Mt 16.21-25) – mas foi exatamente para isso que Jesus veio ao
mundo, e por amor a humanidade, não renunciou a sua missão.
Certamente cada um de nós já fez muitas renuncias.
Escolhas profissionais. Decisões do dia-a-dia. Os que confiam em Deus são
convidados a renunciarem várias atitudes contrárias a vontade do Criador: a
jovem cristã renunciou a companhia das amigas para respeitar seus pais, um
rapaz teve a chance de entrar num esquema lucrativo, mas corrupto, e renunciou
o dinheiro fácil.
Certa vez um líder religioso perguntou quem gostaria
de ir para o Céu. Todas as pessoas reunidas ergueram a mão. Ele então perguntou
quem gostaria de ir para o Céu naquele exato momento. Ninguém ergueu o braço!
Há uma contradição na vivência cristã que aponta para
a gloriosa vida eterna, mas por outro lado ninguém quer deixar sua vida aqui.
Primeiro quer concluir estudos, primeiro quer exercer a profissão, ter filhos,
netos, etc.
Chegará o dia em que seremos convidados a renunciar
esta vida. Estaremos prontos para essa renuncia? Que nessa hora possamos
abandonar a covardia e nos revestir da grandeza de quem sabe que Jesus morreu,
mas ressuscitou, conquistando a vida eterna para todo o que nele crê.
Jesus convida: “aquele que quer ser meu seguidor,
negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me (Mt 16.24)”. Viver essa renúncia
nunca será uma covardia, mas sim um ato de coragem e fé.
Pastor
Ismar Pinz
Comunidade
Luterana Cristo Redentor, Pelotas, RS
19.02.2013
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