O
outono, que começa às 8h02m desta quarta-feira, caracteriza-se como uma estação
de transição do calor do verão para o frio do inverno e não terá a influência dos conhecidos
fenômenos El Niño ou La Niña, já que o Oceano Pacífico Equatorial
seguirá sob uma condição de neutralidade.
“Neutralidade no
Pacífico não é normalidade no clima, mas o contrário. Quadro não há El
Niño e La Niña, costumam ocorrer extremos típicos dos dois fenômenos no Rio
Grande do Sul, ou seja, a atmosfera não tem padrão bem definido”, explica o
meteorologista e diretor—geral da MetSul Eugenio Hackbart.
“Por
um lado a distribuição
regional da chuva fica mais irregular, como quando há La Niña, mas ocorrem
períodos bastante chuvosos e de chuva muito acima da média, como em eventos
de El Niño”, diz. É o cenário esperado para a precipitação neste outono de
2013, antecipa Hackbart, com alguns períodos secos e a expectativa de chuva mais
abundante e que pode ser até excessiva em algumas áreas, com risco de cheias,
na segunda metade da estação.
A
MetSul explica que o clima não tem um calendário perfeito e que o maior exemplo
é a chegada de condições outonais mais cedo neste ano. Historicamente, contudo,
o outono possui
três períodos. No primeiro, até o
fim da primeira quinzena de abril, costumam prevalecer as marcas mais elevadas
nos termômetros com períodos esporádicos de calor mais forte. Na segunda metade
de abril se dá o segundo, quando o ingresso de ar polar já provoca
temperatura mais baixa. As mínimas, em alguns dias, já se aproximam de 0ºC nos
Aparados da Serra. Este período perdura até a metade de maio, quando tem início
o terceiro com características climáticas já próximas daquelas
observadas no inverno. É justamente na segunda quinzena de maio, apesar do
calendário ainda indicar outono, que tem início o chamado "inverno
climático" com temperatura média menor e aumento significativo no número
de dias com geada.
O meteorologista da MetSul Eugenio Hackbart adverte que o começo antecipado do outono neste
março ameno no Rio Grande do Sul, porém, não significa que o calor ficou para
trás. Destaca que alguns dias
quentes são normais em abril e maio e devem ocorrer em 2013.
Hackbart recorda os casos de 1964, 1990 e 1992, quando houve dias de muito frio
no Estado em março. Nos três anos, em abril, houve dias de calor, em alguns
casos até intenso, sobretudo na primeira metade do mês. Quando há um período
quente mais prolongado em maio após dias frios há a ocorrência do chamado
veranico de maio, mas ele não ocorre todos os anos.
Comum
no outono é a ocorrência de bruscas mudanças de temperatura.
“Muitas vezes na estação frentes frias avançam e as marcas nos termômetros que
podem estar acima de 30ºC no Rio Grande do Sul imediatamente antes da chegada
da frente podem cair para valores entre 0ºC e 10ºC poucas horas após a passagem
do sistema. Estas mudanças não raro são acompanhadas de vento forte de Oeste a
Sul, do tipo Minuano.
Vento forte costuma acompanhar ciclones extratropicais (sistemas de baixa pressão), fenômeno
que se torna mais freqüente a partir do outono
e que impulsiona o ar polar para o Sul do Brasil. As rajadas costumam variar,
em média, entre 50 e 100 km/h, dependendo do posicionamento do sistema de baixa
pressão. Em alguns casos mais extremos, as rajadas ultrapassam 100 km/h no Sul
e no Leste gaúcho com fortes ressacas na costa.
Outra marca do outono é a grande diferença de temperatura da noite pro dia.
Trata-se de um dos períodos do ano com maior amplitude térmica e que também proporciona
um aumento nos dias de
nevoeiro. Com freqüência, sob condições de céu limpo e ar seco, a
temperatura pode variar até 20ºC ou mais no mesmo dia, o que força o uso de
roupas mais pesadas no começo da manhã e vestuário mais leve no período da
tarde.
O outono marca também a expectativa sobre a ocorrência de neve
no Rio Grande do Sul. Apesar de flocos já terem caído em abril no Sul do Brasil
(1999), é a partir de maio
que estatisticamente é muito maior a chance de se dar o primeiro registro de
neve, mas só é possível prever o fenômeno dias antes.
O meteorologista Eugenio Hackbart destaca que a neve no outono está associada
mais ao ingresso de fortes massas de ar polar pelo continente e que são
acompanhadas de ciclone extratropical sobre o Oceano Atlântico, como foi em
maio de 1979, ano que, assim como 2013, teve março mais ameno.
O outono
caracteriza-se ainda por mudança no regime da chuva.
Enquanto no verão as precipitações se originam mais de nuvens carregadas que se
formam pelo calor e a umidade alta, a partir do outono a chuva tem como causa
principal a passagem de frentes frias e centros de baixa pressão. Em junho, não
raro, se produz a atuação de frentes quentes, muito menos comuns aqui que as
frentes frias. O
outono é a época do ano com menor freqüência de temporais no território gaúcho,
mas ocorrem com frentes frias de forte intensidade antecedidas por ar quente e
vento Norte, quando é alto o risco de vendavais.
Marca deste outono de 2013
deverá ser a grande variabilidade térmica (alternância de dias quentes e frios), antecipa a MetSul
Meteorologia. De acordo com os meteorologistas da empresa, haverá dias de
temperatura alta durante abril, mas no decorrer do mês é alta a probabilidade
de algumas madrugadas frias ou até geladas. Em maio são esperadas erupções de ar polar
mais intensas, já típicas de inverno, e que em alguns casos podem ser até
significativas, o que se repetirá em junho, mês que em grande parte
transcorre no outono, mas que climaticamente faz parte do auge do inverno.
Informações
Estael Sias
Meteorologista
Meteorologista
METSUL - Meteorologia
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