A Audiência Pública promovida pela Câmara Municipal de Vereadores de Canguçu-RS, na tarde desta quinta-feira (21), durou aproximadamente quatro horas e não definiu absolutamente nada. Apenas serviu para que administração do hospital, Legislativo, Prefeitura e Secretaria Estadual da Saúde tornem o clima ainda mais difícil em termos de um acerto e boa convivência. Com plenário lotado o que deveria ser um debate para encontrar soluções virou um grande circo de ataques e provocações entre os presentes.
O prefeito Gerson Nunes começou falando do convênio entre o município e o hospital que garante, em torno de R$ 120 mil ao mês para garantir a obrigação da municipalidade: O atendimento básico com pediatras e anestesistas. Nunes lembrou que o contrato vigente foi assinado ainda no outro governo e que ele pretende colaborar com o hospital no que for possível e quando ocorrer a renegociação do contrato os valores podem ser revistos. Em seguida o coordenador regional de Saúde, Milton Martins, deixou claro que em abril o contrato entre estado e hospital de caridade será rediscutido e que o estado fará o possível para ajudar a instituição, mas com um porém: Pede que a gestão do hospital seja compartilhada, não ficando apenas na mão de uma só pessoa. "Podemos formar uma comissão para administrar, com participação do poder público, da comunidade e do próprio hospital", revelou. A reunião que irá debater a renovação do contrato será em Porto Alegre em Abril.
O deputado estadual Pedro Pereira (PSDB) lembrou de suas emendas e ações para ajudar o hospital e apresentou dados de investimentos em outros municípios e seus hospitais dizendo que acredita que Canguçu investe pouco. Mas os municípios apresentados não tem o mesmo porte que Canguçu em termos populacionais.
Foto: Augusto Pinz
Pelo hospital falaram o presidente, Dr. Ernesto Maurício Arndt Neto e o administrador Fernando Melo Gomes. Em comum os dois afirmaram que a UTI adulta irá fechar em sete dias. "Os profissionais da UTI receberam uma proposta melhor de trabalho e vão sair. Mas já estamos em negociação com outra equipe", disse Fernando. A UTI não está recebendo novos pacientes por conta deste possível fechamento.
A partir destas informações o resto foi um bate-boca e lavação de roupa suja que não vale a pena comentar. Vereadores se repetindo, querendo jogar a culpa para cima da Prefeitura, os vereadores do lado da administração retrucando e botando a culpa na administração anterior e lembrando que o hospital sempre teve problemas financeiros, lembrando inclusive a campanha realizada pelo Rotary há algum tempo atrás que garantiu a reforma da ala do SUS. Foram apresentados os números do déficit, que todos já sabemos. Todos pediam que fosse garantido o funcionamento do hospital. Muitas manifestações sem solução alguma.
O lance da tarde foi o Coordenador Miltinho chamando o administrador do hospital de "Fernandão" e ouvindo que o administrador gosta de ser chamado de "Fernando, é assim que meus amigos me chamam, nã o de Fernandinho nem Fernandão". Isso mostra como é o clima Governo do Estado e Fernando (nem ão nem inho).
Até o momento o governo do estado já repassou ao município R$ 783 mil para custeio. O valor vem aumentando. Em 2010 foram R$ 680 mil. Em 2011 foram R$ 1 milhão e 200 mil.
Só esperamos que a população não fique jogada no meio destas disputas de beleza e provocações de alguns que querem a solução e outros que querem tirar proveito político desta eminente desgraça.
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