por Luiz Fernando Oderich*
Foto: Angélica Vilela/Canguçu em Foco
Queria agradecer, neste 27
de abril, véspera do Dia da Educação (28) à professora que, em 1957,
reprovou-me em português, quando estava no segundo ano primário. Bendita aquela
professora que impediu que eu seguisse em frente daquele jeito. O tempo mostrou
que não me faltava inteligência, faltava-me maturidade. Aquela lição foi muito
maior do que a de linguística. Aprendi a não desistir, a
procurar uma nova janela, no lugar da porta fechada.
Hoje quase não existem mais
professores como antigamente. Com os
atuais “trabalhadores em educação”, isso não teria acontecido. Eu teria sido
mandado em frente, para não ficar “traumatizado”, e teria atrasado meus
colegas. Pior, deixaria de apreender duras e necessárias lições de vida. Tudo o
que fazemos ou deixamos de fazer tem consequências. Somos senhores de nosso
destino. É preciso descobrir um modo de dar a volta por cima.
Com certeza fiquei chateado
na época, vendo os coleguinhas seguir em frente. Por certo tempo, imaginei que jamais dominaria essa língua
difícil. Depois disso, passaram algumas oportunidades por mim que aproveitei.
Podia não ser bom na escrita, porém podia ser útil em outras coisas. Descobri
que poderia liderar. Português, na verdade, aprendi apenas quando estudei
latim. Ali havia a lógica que eu procurava. Com o tempo, entendi também que
havia coisas que tínhamos apenas de aceitar, mesmo sem entender ou concordar. O
resto, a leitura de muitos livros e os reveses da vida foram ensinando.
Ainda restam alguns
exemplares de professores do tipo bom, daqueles que sabem que é preciso ser
exigente, que a qualidade é tão ou mais importante que quantidade, que punir ou
reprovar é demonstrar amor e interesse pelo sucesso do pupilo. A esses, mesmo
que sejam poucos, sempre desejo um Feliz Dia da Educação.
Aos outros, comemorem também
essa data, com todo orgulho e respeito que merece. Quanto ao 15 de outubro, Dia
do Professor, deixem para nós, os saudosistas, de métodos e resultados muito
diferentes dos atuais.
* Presidente da ONG Brasil Sem
Grades.

Nenhum comentário:
Postar um comentário