Falta de leito obriga hospital de Canguçu a improvisar berçário na recepção da maternidade
Uma estrutura emergencial precisou ser montada para atender dois recém-nascidos. Antes do parto, na noite de segunda-feira, a mãe dos meninos esperava há 10 dias por leito em hospitais equipados com UTI neonatal
Uma estrutura de emergência precisou ser improvisada na recepção da ala dos recém-nascidos do Hospital de Caridade de Canguçu, no sul do Estado, para salvar gêmeos prematuros que nasceram na noite de segunda-feira. Os dois meninos, cada um com 600 gramas, sobrevivem desde as 22h30min em uma incubadora, respiram com a ajuda de oxigênio e têm cuidado exclusivo de uma equipe médica.
O improviso é fruto de uma espera de mais de 10 dias, quando a mãe dos bebês deu entrada no hospital e teve início uma peregrinação por leito em instituições de saúde do Estado equipadas com UTI neonatal. A doméstica do município de Piratini, Andrizi Quevedo, 25 anos, chegou em Canguçu em trabalho de parto. Os médicos conseguiram segurar a gestação até a 26ª semana, na noite passada ou os bebês nasciam ou os três, mãe e meninos, corriam o risco de perder a vida.
A estrutura de emergência foi montada pelo médico responsável pela pediatria do hospital, Benhur Batista, em seguida do nascimento dos bebês.
— Nós sabemos que não é permitido ter uma estrutura dessas no hospital. Mas nesse caso, tempo é vida. Se não fizéssemos nada, certamente os bebês não sobreviveriam. Isso que está acontecendo aqui é um ato heroico — diz o médico.
Somente por volta das 13h30min uma ambulância deixou Santana do Livramento, na Fronteira Oeste, para fazer o resgate em Canguçu – uma viagem de mais de 400 quilômetros com previsão de chegada para o final da tarde. Até Bagé serão mais três horas de viagem, a previsão é de que os meninos sejam atendidos de maneira adequada só no turno da noite.
Interditada, UTI neonatal do hospital se localiza no mesmo andar onde foi improvisada a estrutura de emergência
O Hospital de Caridade de Canguçu tem a sua própria UTI neonatal e se localiza no mesmo andar onde foi improvisada a estrutura de emergência montada para salvar os bebês. Porém, a unidade está interditada desde fevereiro passado. Na época, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) alegou que não havia médicos suficientes para atender os 10 leitos disponíveis via Sistema Único de Saúde (SUS).
A UTI neonatal começou a funcionar com dois médicos e, depois de algum tempo, contava com quatro – quando o número exigido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) seria oito médicos para cuidar de 10 pacientes (a capacidade do local).
O problema, segundo a SES, continua. Ainda não teria sido apresentado pela direção do hospital documento com a equipe de médicos formada e escalas de plantão já definidas para que a unidade seja reaberta. Porém, o diretor do Hospital de Caridade, Fernando Gomes, diz que a instituição conseguiu formar uma nova equipe médica, composta por nove profissionais, e que já teria sido encaminhado um documento para a análise do governo do estado.

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