NOVANET

Vida Plena

Gordices da KÁ

24 junho 2011

A fogueira da acusação

Quem lembra do personagem central das festas juninas? Se o próprio aniversariante é esquecido nas comemorações de Natal porque isso não aconteceria com João Batista, aquele que afirmava não ser digno nem mesmo de desatar as sandálias de Jesus (Mt 3.11).
Não quero me deter na fogueira que faz parte do histórico do nascimento de João, mas sim, sobre o quanto é difícil pular a fogueira da corrupção.
Fiquei sabendo que um empregado de uma estatal foi demitido por justa causa. O motivo foi não ter denunciado corrupções de um colega de serviço. Seu erro não foi roubar, mas ser omisso diante do roubo.
Essa situação é muito difícil. Delatar um colega aqui nesse mundo de impunidade é um risco. Corre-se o risco do chefe não acreditar na gente, corre-se o risco de perder o emprego, de ser taxado de “dedo duro” ou de ter que continuar trabalhando com alguém que fica olhando feio. Que dilema!
O esquecido personagem das festas juninas agiu de uma forma radical. Denunciava e apontava o dedo acusador para quem quer que fosse.
Qualificar como “dedo duro” não é elogio. Mas Jesus referiu-se a João como o maior, mais honrado e nobre dentre os nascidos nesse mundo (Mt 11.11). Será que Jesus elogiou João por essa característica acusatória? Penso que não somente! A verdade é que João acusava não para condenar, ou demitir, mas sim para salvar. Acusava para gerar arrependimento.
João Batista denunciou o próprio rei Herodes, que vivia em situação de infidelidade com Herodias, esposa do irmão Filipe. Ele foi preso e depois decapitado por causa disso (Mt 14).
Quem de nós não conhece um corrupto? Desde os manobristas que metem a mão nas moedas sobre o banco do carro, aos políticos que enchem meias e cuecas com dinheiro alheio. Calar-se pode ser séria omissão. Mas creio que podemos agir de maneira sábia, seguindo o conselho bíblico que nos ensina a procurar a pessoa em particular convidando a mudar seu jeito de viver (Mt 18). Tudo visando à mudança de vida.
A tarefa junina de delatar é dificílima. Porém ainda mais desafiadora é a tarefa de acusar a nós mesmos. Analisarmos nossa própria vida e reconhecermos que como empregados trabalhamos menos do que deveríamos, como patrões pagamos misérias, ou quando aceitamos embolsar o que não é nosso.
O convite ao arrependimento e a mudança de vida é uma fogueira diante de nós, menor apenas que as chamas do amor de Jesus, de onde provém a força para toda mudança e a coragem de sofrer em prol da justiça.
Pastor Ismar Pinz
ismarpinz@yahoo.com.br
Comunidade Cristo Redentor.
Três Vendas, Pelotas, RS

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