"“Quando cheguei ao precipício!” diz o professor que tenta não cair para fazer diferença.
Obs.: ainda estou aqui!
Não foram poucas as vezes onde me vi na dúvida Shakespeareana: “Ser ou não ser!”. O que todos diziam a mim? Com certeza não ser, não sofrer, não viver assim, não desfalecer aos poucos... era o que me diziam. Mas topei mesmo assim este desafio levando em conta o que aprendi: no fim dá tudo certo, se não deu certo é porque ainda não chegou ao fim (diz a música de Gabriel O Pensador). Eu definitivamente seria professor. Os anos se passaram e a faculdade foi se mostrando os caminhos que seriam trilhados por essa profissão, até que me deparei com a realidade e pasmem todos: não era como é hoje! Isso a uns “X” anos atrás. Incrivelmente a cada ano que passa o ensino se estraçalha ainda mais.
Há dias atrás ficamos sabendo da cena de um professor de Geografia, que perdeu o controle de uma sala de aula de uma 8ª série e ao final de seu descarrego, a frase que resumiu todo o acontecimento: “- Eu tô doente!” Uma aluna gravou tudo, não para processar o professor, até porque ele já se encontra na cadeira elétrica por ter sido condenado diariamente com todas as injúrias que recebe, mas sim para mostrar novamente quem são nossos professores do Brasil, ou melhor, como estão. Alguém ainda se surpreende com cenas como essa? Então os convido a ficar alguns dias sentado à classe de nossas tantas escolas de Canguçu. Encontrarão lá 2 tipos de professores: os que já largaram de mão sua tarefa de “ENSINAR” e apenas contam o dia para que o prefeito Cássio “libere a grana” e os que se encontram já a algum tempo no precipício apenas aguardando o último empurrão; esse tipo de professor encontramos às pencas.
Façam, alunos, uma campanha com o slogan: GRAVE AS LOUCURAS DE SEU PROFESSOR! Meu Deus será mais eficaz e terá mais repercussão que os poucos votos tirados pela candidata canguçuense nesta última eleição. Isso tudo porque 80 ou 90% das pessoas que assistiram a reportagem do “professor maluquinho” deram gargalhadas, inclusive eu, pois mesmo sabendo que esse episódio um dia também poderá acontecer comigo, acho graça com a desgraça do outro e também porque nossa classe é assim mesmo, desunida, por mais que me esforce para mudar esta situação.
Alguém há de citar, nos famosos e inovadores comentários que se seguirão após esse desabafo: “- Se está incomodado, que se retire do magistério, antes que morra “sequelado” ou mate um “coitado”. Dê lugar para quem quer fazer a diferença e receber esse salário que tanto reclamam!” Mas a estes eu digo: Façam uma graduação de 4 anos e tenham a convicção de que “ENSINAR” é sua tarefa e seu dom e depois enfrentem essa realidade que está extremamente lucrativa para psicólogos, psiquiatras, médicos. Ou então aproveitem a onda e abram mais uma farmácia em Canguçu... e se derem descontos especiais para professores, aí sua clientela aumentará assustadoramente.
Sobre o precipício... amanhã estarei novamente na sala de aula, em frente a ele, pois sou professor do município e como a lei que nos daria o TURNO DE FOLGA já foi lá pra baixo, aguardarei o último empurrãozinho de meus “anjinhos”, trabalhando".
6 comentários:
Oi Colega!
Parabéns pelo teu texto, se me permites faço dele também o meu,porém com uma exceção, não perdi a esperança da hora extraclasse.As coisas de um modo em geral vão melhorar quando escolhermos Gestores Públicos com mais escolaridade para administrar nosso Município. Os que estão aí tem muita dificuldade em leitura e interpretação.
Oi colega, parabéns pelo texto e coragem! Não nos deram as tão sonhadas horas atividade,é o único município que escravisa seus professores, mas a vice já se ferrou, esqueceu que educadores são formadores de opinião e levou o troco nas urnas, è vice repense as horas atividades que as eleições municipais estão chegando....
Professor, sua situação é muito triste, assim como a da maioria de nós professores de Canguçu, particularmente.
Essa situação dos professores de Canguçu só se mantém por reponsabilidade dos próprios professores, que dizem amém para todas as determinações da SME e da prefeitura. Os professores não se impõem, não se posicionam, aceitam tudo passivamente, como se possuir um cargo no município não fosse um direito, adquirido a partir do momento que prestou um concurso. Não só a questão da "folga", mas os finais de semana, os feriados perdidos em desfiles e eventos que poderiam ser realizados durante a semana. Vamos começar desde de já a informar nossos alunos que daqui há dois anos já poderão votar. Precisamos de mudança JÁ!!!!!!
É o seguinte,uma idéia minha vamos começar a mudar esse governo não teremos mais nada,só servir de propaganda politica pro seus governos...então vamos nos organizar e formar um sindicato de professores pois 6 reais que damos pro sinca 6 x 500 =3000 por mes da pra panfletear direto tornaremos nossa classe mais forte,ano que vem começamos o ano com paralização e denuncia das diversas perseguições que temos em nossos educandários faremos acampamentos na praça que é legal pór lei e buscaremos nossos direitos...O melhor temos que melhorar a nossa auto estima assim como os alunos são capazes nós também somos....vamos lá galera eu acredito....
Apoiadíssimo!!!!!!
Temos que fazer divulgação desse movimento. Acredito que muita gente vai querer participar. Só tem um problema: parece que todo mundo deve favor à prefeitura e por isso tem medo de se manifestar. Até quando vai ser assim?
Oi!! não Sou professor mas desde já opoio esse movimento!!!Tem que ter alem do ambito municipal convocar professores estaduais e particulares e população para essa luta em pról da educação!!!!!!! "NÃO À VITORIA SEM LUTA!!!!!!!" EDUCAÇÃO É TUDO!!!!!
Marcus
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