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Gordices da KÁ

20 março 2010

Aceitação da mediocridade

Semanalmente teremos a colaboração do professor José Luis Cunha com temas referentes a EDUCAÇÃAO. O Primeiro texto colaborando com o site é do senador Cristovam Buarque, que é membro do Instituto de Educação da Unesco e foi ministro da Educação até janeiro de 2004 e professor da UnB.




Aceitação da mediocridade
Bons em futebol e péssimos em outras práticas: porque aceitamos a mediocridade em tudo, mas exigimos excelência no futebol.
No ano que vem, na África do Sul, poderemos novamente ser campeões mundiais. Até lá, as regras serão as mesmas, a bola continuará redonda. Se perdermos, tentaremos novamente quatro anos depois, na esperada Copa do Brasil. Mas a perda educacional não permite recuperação tão fácil. Daqui a quatro anos, o mundo inteiro terá evoluído no conhecimento, em equipamentos, na formação de professores. No futebol, teremos perdido ou ganhado; mas na educação, se tivermos perdido, ficaremos para trás.
Perder uma Copa do Mundo de futebol nos deixa mais tristes. Mas perder a Copa da Educação nos deixa mais pobres, mais desiguais, mais atrasados, mais deseducados.
Porque a deseducação gera um círculo vicioso: quanto pior, pior fica. Por que, então, choramos com a derrota no futebol e ignoramos o fracasso na educação? Primeiro,
porque nossa cultura está mais para o consumo, para o futebol, para o imediato, para a alegria, do que para o esforço, para o futuro e para o sacrifício que implica a educação. Mas nossa população pobre tem de sobreviver, dia após dia. Não pode esperar a educação do filho (a grande criatividade da Bolsa-Escola foi unir a necessidade de sobrevivência imediata com a educação para o futuro). E não acha que seja vital, fundamental, a recuperação da educação do adulto.
É triste reconhecer, mas a elite brasileira passou a ideia – aceita pelo povo – de que educação de qualidade é uma coisa reservada aos ricos, como se fosse natural que os
pobres não tivessem direito a escola igual a dos ricos. A prova disso está na pesquisa apresentada pela revista Veja, mostrando que quase todos os pais acham muito boa a escola pública de seus filhos, embora os filhos não estejam de fato em escola adequada. Noventa por cento dos professores se consideram bem preparados para a tarefa de ensinar,
mesmo que seus alunos sejam os últimos no campeonato mundial da educação. E os adultos conformam-se com a educação – ou a falta de educação – que têm.
Sindicatos fazem greve por salário, moradores de ruas invadem prédios e terrenos, camponeses invadem terras. Mas não vemos invasão das boas escolas, para nelas serem colocados os filhos dos pobres. Não vemos invasão de escolas para os adultos recuperarem
o déficit educacional que têm. Professores universitários fazem greve por seus salários, alunos universitários protestam pela saída de um reitor, mas não dizem uma única palavra de protesto quando perdemos o campeonato da educação de base. Não se mobilizam da mesma forma para emprestar seus conhecimentos no esforço de alfabetizar e educar outros jovens e adultos como eles. Tenho um projeto que determina que os estudantes das universidades públicas tenham que reservar uma parte de seu tempo em projetos de alfabetização de adultos. Nunca vi uma entidade representativa dos estudantes manifestar-se sobre isso.
O Brasil dispõe dos recursos e craques para vencer novamente a Copa do Mundo na África do Sul no ano que vem. Mas se fizermos a revolução na educação, faremos também o berço de nossos atletas.
Temos os recursos, mas a aceitação da mediocridade na educação nos condena a aceitar sermos os perdedores de sua Olimpíada.
fonte.
Revista escrevendo juntos pág. 45 e 46

Bens, inauguro este espaço, com o objetivo de provocar a reflexão e não tenho pretensão de colocar minha posição influenciando alguém, mas, tentarei nos aproximar dos assuntos educacionais que só são valorizados em discurso.
José luiz Cunha.
Prof. de filosofia

7 comentários:

Anônimo disse...

O professor está certo.

Anônimo disse...

Muito bom texto para reflexão o ex ministro é uma pessoa preocupada com a educação de fato. parabéns ao prf. Cunha pela colaboração aos leitores1

Anônimo disse...

Muito bom a colocação do assunto e completaria: Educação vem de berço, se tem pais que apoiam os filhos contra professores e escola... Só serão cidadãos do mundo quem souber respeitar as regras. Os demais são perdedores...

Anônimo disse...

Opâ, professor, a copa ainda é neste ano e faltam apenas 8.., dias, Valeu!!!

Anônimo disse...

Professor falando de copa do mundo e não sabe que começa no meio deste ano (2010) e não no ano que vem!
Como pode um professor ser contra o esporte isso é bola murcha.

Anônimo disse...

Nossa, quem colocou que o professor não sabe não tem um pingo de conhecimento. Quando se cita um texto escrito por outra pessoa não se pode mudar o corpo do texto, provavelmente este texto foi escrito no ano passado, ranto que tem a referência abaixo para quem quiser se certificar.
E não está se opondo a copa do mundo, apenas ao fato das pessoas darem mais valor nos jogos passados na televisão, na revolta quando o Brasil não é campeão da copa e não se importarem com a qualidade de ensino dos filhos, com o nível de conhecimento que estes adquirem.

Achei o texto ótimo, sempre gostei das idéias do Cristovam Buarque, é bom para refletirmos...

Anônimo disse...

O cunha continua o velho enrolão sem falar nada.