Da esquerda para direita: Nauro, Jarbas, Juliano, Maira, Dalcira e Jairo Sanguiné
Foto: Augusto Pinz
Foto: Augusto Pinz
Um Jornalista consegue desenvolver sua pauta sem se envolver emocionalmente com ela? Este foi o tema de um debate promovido durante palestras com alguns dos principais nomes do jornalismo local na noite desta quinta-feira (12) no Auditório do Campus II da Universidade Católica de Pelotas (UCPel).
A Atividade foi promovida pela aluna Paula Blass com o tema “Reportagens no Limite da Razão”, dentro da disciplina de Projeto Experimental. Estiveram presentes Maíra Lessa e Dalcira de Oliveira da RBS TV, Nauro Júnior da Zero Hora (ZH), Juliano Silva da rádio Nativa e Jarbas Tomachewiski do jornal Diário Popular.
Com o auditório completamente lotado cada um falou de suas experiências profissionais e de situações que consideravam difíceis e marcantes, como a cobertura ao acidente com o ônibus dos jogadores do Brasil de Pelotas em Janeiro deste ano, as enchentes do meio do ano e outros fatos.
Todos foram unânimes ao dizer que o jornalista é um ser humano como qualquer outro e que seria impossível dar uma pausa nos sentimentos durante uma matéria. Delcira destacou que o jornalista pode não demonstrar na hora da reportagem sua emoção mas ao chegar ao local da edição começa a repensar toda a emoção vivida e acaba sendo tocado. Maira disse que muitas vezes a emoção já vem no instante da matéria. “Quando fui cobrir um acidente que matou uma família inteira em Cristal fui avisada no Sábado que Domingo teria que ir já perdi todo meu final de semana pensando como agir, o que fazer, e no dia só consegui imagens não consegui depoimentos e me senti muito mal por estar lá”, disse.
Jarbas Tomachewiski disse que é natural o envolvimento do repórter que precisa repassar esta emoção para o leitor, mas, destacou o papel do Editor, que é quem não tem envolvimento direto com a ação e acaba tendo uma visão mais racional dos fatos. “Com a emoção o jornalista corre o risco de ficar piegas, se perder e o editor tem que estar ali para ajudar a melhorar a informação. A Tragédia acontece ao nosso lado e temos que estar preparados”, diz. Ele lembra que a notícia tem que sair e se você não fizer alguém irá fazer e divulgar.
Juliano Silva mostrou a visão de como isso é trabalhado no rádio onde o radiojornalista acaba tendo que narrar os fatos e com isso ouve muitas pessoas e versões, tendo um envolvimento grande com as partes. Por fim o fotógrafo Nauro Júnior falou em um tom descontraído de momentos importantes de sua carreira em que muitas vezes foi dominado pela emoção. “Não faço nada sem me emocionar. Me emociono uma vez por dia. Não tem como ser imparcial, você acaba ouvindo várias versões e processa sempre a que se identifica mais, acaba sendo levado”, disse o autor do livro “A Noite que não acabou” que retrata a tragédia vivida pelo time do Brasil de Pelotas na RS 471 no município de Canguçu. Sobre o livro ele disse que o fez por ser um fato histórico e não que tenha intenção de aproveitar um fato trágico para ganhar dinheiro. “Nesse dia eu tive que dar um boletim para a rádio Gaúcha e quando falei o nome do Millar comecei a chorar”, revela. Nauro e Claudio Milllar – ídolo Xavante morto no acidente – eram grandes amigos. O livro já está na terceira edição e é o mais vendido da feira do livro de Pelotas.
A Atividade foi promovida pela aluna Paula Blass com o tema “Reportagens no Limite da Razão”, dentro da disciplina de Projeto Experimental. Estiveram presentes Maíra Lessa e Dalcira de Oliveira da RBS TV, Nauro Júnior da Zero Hora (ZH), Juliano Silva da rádio Nativa e Jarbas Tomachewiski do jornal Diário Popular.
Com o auditório completamente lotado cada um falou de suas experiências profissionais e de situações que consideravam difíceis e marcantes, como a cobertura ao acidente com o ônibus dos jogadores do Brasil de Pelotas em Janeiro deste ano, as enchentes do meio do ano e outros fatos.
Todos foram unânimes ao dizer que o jornalista é um ser humano como qualquer outro e que seria impossível dar uma pausa nos sentimentos durante uma matéria. Delcira destacou que o jornalista pode não demonstrar na hora da reportagem sua emoção mas ao chegar ao local da edição começa a repensar toda a emoção vivida e acaba sendo tocado. Maira disse que muitas vezes a emoção já vem no instante da matéria. “Quando fui cobrir um acidente que matou uma família inteira em Cristal fui avisada no Sábado que Domingo teria que ir já perdi todo meu final de semana pensando como agir, o que fazer, e no dia só consegui imagens não consegui depoimentos e me senti muito mal por estar lá”, disse.
Jarbas Tomachewiski disse que é natural o envolvimento do repórter que precisa repassar esta emoção para o leitor, mas, destacou o papel do Editor, que é quem não tem envolvimento direto com a ação e acaba tendo uma visão mais racional dos fatos. “Com a emoção o jornalista corre o risco de ficar piegas, se perder e o editor tem que estar ali para ajudar a melhorar a informação. A Tragédia acontece ao nosso lado e temos que estar preparados”, diz. Ele lembra que a notícia tem que sair e se você não fizer alguém irá fazer e divulgar.
Juliano Silva mostrou a visão de como isso é trabalhado no rádio onde o radiojornalista acaba tendo que narrar os fatos e com isso ouve muitas pessoas e versões, tendo um envolvimento grande com as partes. Por fim o fotógrafo Nauro Júnior falou em um tom descontraído de momentos importantes de sua carreira em que muitas vezes foi dominado pela emoção. “Não faço nada sem me emocionar. Me emociono uma vez por dia. Não tem como ser imparcial, você acaba ouvindo várias versões e processa sempre a que se identifica mais, acaba sendo levado”, disse o autor do livro “A Noite que não acabou” que retrata a tragédia vivida pelo time do Brasil de Pelotas na RS 471 no município de Canguçu. Sobre o livro ele disse que o fez por ser um fato histórico e não que tenha intenção de aproveitar um fato trágico para ganhar dinheiro. “Nesse dia eu tive que dar um boletim para a rádio Gaúcha e quando falei o nome do Millar comecei a chorar”, revela. Nauro e Claudio Milllar – ídolo Xavante morto no acidente – eram grandes amigos. O livro já está na terceira edição e é o mais vendido da feira do livro de Pelotas.
3 comentários:
Não há como o jornalista não se envolver com a notícia. Seja na hora, depois, ou até antes. Quem falar isso, nunca sofreu na pele o sentimento cruel que é ter de enxergar além da tragédia. Ver os detalhes que escapam do olhar comum, para informar com clareza aos leitores, aos telespectadores, aos ouvintes. É uma situação dramática, talvez comparada ao que um médico deva sentir quando um paciente está perdendo a vida (se é que seja possível fazer tal comparação). Enfim, já vivenciei situações dramáticas e sei o quanto colegas sofrem com o desgaste que isso causa. Se manter parcial? É impossível. Balela. Podemos ser conscientes de nossa função social de informar, mas jamais seremos imparciais.
E AINDA QUEREM ACABAR COM UMA PROFISSÃO DE TAMANHA RESPONSABILIDADE, É UM ABSURDO O QUE A AQUELES "SENHORES DA LEI" VOTARAM A ALGUNS MESES ATRAS ELIMINANDO A NECESSIDADE DE SER FORMADO EM JORNALISMO PRA TRABALHAR NA IMPRENSA, AINDA BEM QUE PARECE QUE VÃO DERRUBAR A DECISÃO DELES!!
Esse é o teu texto pro Jairo?
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