Nove máquinas de hemodiálise adquiridas há oito anos pelo Hospital de Caridade de Canguçu viraram sucata sem terem sido usadas.
– Não sabemos o que fazer com as máquinas – admite o diretor do hospital, Fernando de Mello Gomes.
Em 2001, a instituição pediu um empréstimo bancário e investiu R$ 1,5 milhão para adquirir os equipamentos e montar a sala. O objetivo era abrir um setor de Terapia Renal Substituta (TRS) capaz de atender 60 pacientes. O projeto, feito em 1996, atendia às especificações técnicas da portaria 2.042 do Ministério da Saúde.
O problema é que o hospital deixou para credenciar o serviço depois da compra. E, em 2002, a legislação mudou. Uma nova portaria limitou em 200 mil habitantes a abrangência de cada TRS. Com 800 mil habitantes, o sul do Estado conta com cinco TRSs (três em Pelotas, um em Rio Grande e um em São Lourenço do Sul) – um para cada 160 mil habitantes – diferentemente do estabelecido na portaria. Por causa disso, Canguçu não conseguiu o credenciamento. Mas a obra no hospital já estava pronta.
Segundo explica a diretora do Departamento de Assistência Hospitalar e Ambulatorial da Secretaria Estadual da Saúde, Aglaé Regina da Silva, no Estado ainda foi possível manter um centro para cada 147 mil habitantes. Mesmo assim, Canguçu não se encaixa nos padrões exigidos por falta de pacientes.
– O serviço foi considerado inviável porque o município não apresenta área de abrangência. A lógica de ter um centro é que se tenha paciente. E não há número de pacientes suficiente para manter um serviço que é pago pelo SUS – destaca.
No primeiro andar do hospital, a sala com as nove máquinas está inativa. Apenas a limpeza é feita para que o local não ganhe ares de abandono. O diretor do hospital lamenta:
– As máquinas nunca foram usadas. E, fora da legislação, viraram sucatas. Na época, em 2000, os equipamentos estavam dentro da legislação vigente. Agora, mesmo que fôssemos credenciados, teríamos de adquirir novas máquinas para operar.
Atualmente, 30 moradores de Canguçu precisam fazer hemodiálise. Três vezes por semana, eles percorrem 55 quilômetros de ônibus até Pelotas. A rotina começa às 10h, e a viagem dura cerca de uma hora para quem vive na cidade. Os moradores do interior do município precisam antes pegar um ônibus até a cidade, às 6h30min. O ônibus estaciona novamente em Canguçu às 19h, oito horas depois da saída.
A Secretaria de Saúde de Canguçu acredita que o serviço seria importante não só para o município.
– Se o serviço fosse oferecido na cidade, poderíamos atender outros municípios da região – diz a secretária de Saúde, Alice Rocha Squef.
giacomo.bertinetti@zerohora.com.br
GIACOMO BERTINETTI
Fonte: ClicRBS - Jornal ZH.

FOTÓGRAFO CANGUÇUENSE
As fotografias que ilustram a matéria impressa são de autoria do Canguçuense Gustavo Goulart.
– Não sabemos o que fazer com as máquinas – admite o diretor do hospital, Fernando de Mello Gomes.
Em 2001, a instituição pediu um empréstimo bancário e investiu R$ 1,5 milhão para adquirir os equipamentos e montar a sala. O objetivo era abrir um setor de Terapia Renal Substituta (TRS) capaz de atender 60 pacientes. O projeto, feito em 1996, atendia às especificações técnicas da portaria 2.042 do Ministério da Saúde.
O problema é que o hospital deixou para credenciar o serviço depois da compra. E, em 2002, a legislação mudou. Uma nova portaria limitou em 200 mil habitantes a abrangência de cada TRS. Com 800 mil habitantes, o sul do Estado conta com cinco TRSs (três em Pelotas, um em Rio Grande e um em São Lourenço do Sul) – um para cada 160 mil habitantes – diferentemente do estabelecido na portaria. Por causa disso, Canguçu não conseguiu o credenciamento. Mas a obra no hospital já estava pronta.
Segundo explica a diretora do Departamento de Assistência Hospitalar e Ambulatorial da Secretaria Estadual da Saúde, Aglaé Regina da Silva, no Estado ainda foi possível manter um centro para cada 147 mil habitantes. Mesmo assim, Canguçu não se encaixa nos padrões exigidos por falta de pacientes.
– O serviço foi considerado inviável porque o município não apresenta área de abrangência. A lógica de ter um centro é que se tenha paciente. E não há número de pacientes suficiente para manter um serviço que é pago pelo SUS – destaca.
No primeiro andar do hospital, a sala com as nove máquinas está inativa. Apenas a limpeza é feita para que o local não ganhe ares de abandono. O diretor do hospital lamenta:
– As máquinas nunca foram usadas. E, fora da legislação, viraram sucatas. Na época, em 2000, os equipamentos estavam dentro da legislação vigente. Agora, mesmo que fôssemos credenciados, teríamos de adquirir novas máquinas para operar.
Atualmente, 30 moradores de Canguçu precisam fazer hemodiálise. Três vezes por semana, eles percorrem 55 quilômetros de ônibus até Pelotas. A rotina começa às 10h, e a viagem dura cerca de uma hora para quem vive na cidade. Os moradores do interior do município precisam antes pegar um ônibus até a cidade, às 6h30min. O ônibus estaciona novamente em Canguçu às 19h, oito horas depois da saída.
A Secretaria de Saúde de Canguçu acredita que o serviço seria importante não só para o município.
– Se o serviço fosse oferecido na cidade, poderíamos atender outros municípios da região – diz a secretária de Saúde, Alice Rocha Squef.
giacomo.bertinetti@zerohora.com.br
GIACOMO BERTINETTI
Fonte: ClicRBS - Jornal ZH.

FOTÓGRAFO CANGUÇUENSE
As fotografias que ilustram a matéria impressa são de autoria do Canguçuense Gustavo Goulart.
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