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02 agosto 2013

Audiência, na Câmara, sobre UTI Neonatal e hospital

A manhã chuvosa de sexta-feira (02), em Canguçu, foi de debates na Câmara Municipal de Vereadores sobre a UTI Neonatal e o convênio do hospital de caridade de Canguçu com o Governo do Estado do RS. Participaram da audiência o prefeito Gerson Nunes (PT), o Administrador do Hospital Beto Boemeke, o Coordenador Regional da Saúde Milton Martins (Miltinho), o deputado estadual Pedro Pereira (PSDB) além de todos os 15 vereadores.
O clima tenso marcou o encontro. Com um bom número de Canguçuenses na plateia os momentos de maior debate ficaram entre o deputado estadual Pedro Pereira e o Coordenador Regional Miltinho. Milton fez seu pronunciamento primeiro dizendo que a UTI Neonatal foi adquirida com dinheiro público (R$ 1 milhão e 600 mil) e que deve estar a dispor da população, seja em Canguçu ou onde for e que aqui não há equipe qualificada para o atendimento neonatal. "As equipes preferem ficar nos grandes centros", lembrou. Para ele a abertura da UTI Neontal em Canguçu foi "uma aventura" e que nenhum conselho de medicina acatou a decisão para o trabalho no hospital local e a prova disto seriam as 12 mortes que ocorreram provocando o fechamento do serviço. Miltinho afirmou que a Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) fez o pedido de 06 leitos para sua UTI Neonatal, mas disse que havendo acordo o restante dos leitos e equipamentos pode ficar em Canguçu. 
 O deputado Pedro Pereira, por sua vez, disse que atualmente os serviços de UTI são os mais bem pagos. Uma média de R$ 800,00 para cada leito e que se a questão for financeira não existe impedimento nenhum para a reabertura da UTI Neonatal. Ele questionou o fato de Pelotas, tão próximo, ter a possibilidade de manter um serviço e Canguçu não, se são os mesmos profissionais que atendem. Pereira também disse que quando o serviço começou havia autorização da ANVISA e do Governo Estadual, estando aqui, inclusive, o Secretário Estadual de Saúde no ato inaugural. Ele creditou como "desculpa" o fato de levarem equipamentos de Canguçu e deu a entender que havia jogo político. "A Ufpel é Federal e ai conseguem tudo?", disse. Ele também lembrou que conseguiu liberar R$ 530 mil para o hospital entre verbas do estado e emenda do deputado federal Claudio Diaz (PSDB e atualmente no PP)
O Vereador Wendel Vilela (PTB) disse que gostaria muito que a UTI Neonatal ficasse em Canguçu, mas entende - por ter vivido problemas familiares recentemente - que a saúde dos recém nascidos é mais importante. "Gostaria de manter aqui o serviço, mas estando em Pelotas, próximo a gente, seria uma boa alternativa. Sabemos das dificuldades de se achar leitos na rede pública e não podemos deixar equipamentos parados enquanto ficam discutindo por aí", comentou.
Fotos: Augusto Pinz
PREFEITO CRITICA FALTA DE APOIO
O prefeito Gerson Nunes fez um discurso de encerramento contundente aos opositores da situação do hospital. Disse que recentemente o hospital firmou novo convênio com estado e receberá quase R$ 1 milhão ao mês e que a situação da UTI neonatal é estudada da melhor forma possível. Ele disparou contra os vereadores que ficam apenas criticando e nada fazem para ajudar e se dirigiu também ao deputado Pedro Pereira (PSDB) a quem Gerson definiu como "bom entendedor em gastar diárias" e que deveria trabalhar em conjunto com a administração para melhorar a situação do hospital. "Vocês estão levando para um jogo político do quanto pior melhor, pensam mais em atingir o prefeito que fazer algo em benefício do hospital e da população", falou, retirando-se da audiência logo em seguida em virtude de outros compromissos.

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