O dedo indicador erguido é sinal de quem quer falar, interagir. Virou tradição erguer o indicador para perguntar algo. Não são poucos os que ouviam a professora dizer: “quem quiser falar ou perguntar, ergue o dedo”. A imagem de uma mão com o indicador erguido está vinculada à campanha lançada pelo Grupo RBS, “A Educação precisa de respostas”.
Porém erguer o dedo do meio é sinal oposto. Nada a ver com educação e ordem, muito menos com pedido de licença, mas com agressão, com falta de educação. Erguer o dedo do meio é uma violência silenciosa, uma ofensa rápida e direta.
Já passou da hora de todos erguermos os dois braços e colocarmos as duas mãos ao trabalho para lutarmos pela educação. Num momento de debates, rapidamente se apontam os aspectos críticos: baixos salários dos professores, péssimo estado físico das escolas. Recorrentemente tenho ouvido falar sobre a falta de qualificação dos mestres.
Concordo com todos os aspectos citados, mas algo ainda me inquieta: “saber que a maioria dos jovens em sala de aula é mais veloz em erguer o dedo do meio do que em erguer o indicador!” Assim, aulas brilhantes não são nem percebidas, e alunos interessados são ridicularizados. Afinal o dedo do meio normalmente é maior que o indicador.
Mas quem é essa gente que ergue o dedo do meio? São gurizinhos e guriazinhas. Nossos filhos, sobrinhos, netos, vizinhos. São nossos! Imediatamente nos sensibilizamos e percebemos que o problema está em nós mesmos e na sociedade que formamos. Percebemos que não adianta apenas pintar as paredes da escola, ou trocar computadores. Percebemos que o problema está na escala de valores que construímos, notamos que o problema está naquilo valorizamos, naquilo que é curtido. Percebemos que muitas vezes não erguemos nenhum dos dedos, mas sim uma peneira para proteger-nos de um sol que revela nossa ineficiência. Esse sol mostra como são distorcidos os conceitos de quem acha que um penteado maneiro e a cor dos tênis são aspectos de personalidade importantes, enquanto ensinamentos e fundamentos reais são considerados caretices.
Penso que o dedo indicador erguido nos deve direcionar a atenção para Deus. Diz as Escrituras Sagradas que o temor ao Senhor é o princípio da sabedoria (Provérbios 1.7). Dizem as Escrituras que, ainda que venhamos a dominar as ciências e saibamos falar a língua dos homens e até mesmo dos anjos, se não tivermos amor, nada seremos (1 Co 13).
Jesus é o Mestre dos mestres! Ele permitiu que suas duas mãos, com todos os dedos, fossem erguidas na cruz. Ao doar sua Vida em Amor, aponta uma escala de valores que precisa ser respeitada e ensinada aos nossos pequenos. Somente assim os indicadores serão levantados para perguntar, interagir e ajudar os professores e colegas nesse processo conjunto que é a aprendizagem.
Pastor Ismar L. Pinz
Comunidade Luterana Cristo Redentor
Três Vendas - Pelotas
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