Onde está o respeito?
Do Professor que ainda quer fazer a diferença
Respeito é algo que deveria ser inato ao ser humano. Deveria nascer e morrer com cada cidadão, deveria ser de dentro pra fora e de fora pra dentro. Deveríamos ser respeitados, ao invés de sermos “peitados”. Deveria, deveria... o dever no sentido de obrigação não deveria ser questionado. É um dever o aluno ir para a escola aprender, é um dever o professor trabalhar as horas que lhe foram acertadas e é dever dele passar o conhecimento para o aluno sem este descumprir com o seu dever.
Está tudo tão invertido, os papéis da família mudaram, pais não agüentam mais seus filhos, não sabem o que fazer com eles e por isso mandam para a escola para se “livrar dessa incomodação” (e é com estas palavras que já ouvi muitos pais).
Sou professor, me dediquei quase 20 anos da minha vida para adquirir conhecimento necessário para repassar o que aprendi e me encontro numa situação, que é semelhante a de muitos colegas, senão de todos, que está cada vez mais sugando minha alegria e meu prazer de ensinar.
Me perguntaram quantas horas trabalho: 40 ou 20? Respondi: - Nenhuma das duas, ou as duas juntas! Porque nunca calculei as horas que fico pensando numa estratégia para levar meus alunos ao aprendizado ou o tempo que deixo de conversar com minha família, tendo que corrigir muitas provas, ou as horas que passo diariamente sentado planejando aula, ou até mesmo o tempo que gasto indo até a farmácia comprar remédio para o mal que me acometeu na escola. Os sábados? Deveriam entrar nas 40 horas porém seria, no nosso caso, como horas extras, onde receberíamos para isso, porém esse privilégio também não temos. Faremos o que neste dia que deveria ser de folga? Apenas serão feitos “eventos: CIENA, FESTCAL, TORNEIOS”! Nada que canse, afinal cuidar um dia inteiro daqueles considerados “incomodação” é pouco. Então não participamos! Mas também não vamos esquecer dos aclamados “200 dias letivos”!
O que? Se meu trabalho acaba as 17h? imagina, pra quem trabalha na cidade até pode ser! E se começa às 8h? Tá bom, vou de jatinho até a escola que fica a 10, 20, 30km da cidade. Bem, mas trabalho na cidade, ganhando o mesmo salário daqueles coitados que tem que ir para o interior (porque hão de convir comigo que professor do município só houve falar em “difícil acesso” quando chove e a estrada está intransitável) recebo meus alunos atrasados, porque o pai saiu de casa ou porque brigou com a mãe, ou entrou na droga e não consegue sair enfim, a cidade já perdeu muitas qualidades que o interior ainda insiste em perder. E o estatuto da criança e do adolescente está aí... para protegê-los o suficiente para que nem os pais possam dar umas chineladas
E o respeito das pessoas que indiretamente fazem parte da escola? Falamos de nossos gestores canguçuenses, vereadores, administração municipal, ou quem sabe a grande vilã da atualidade: “A crise mundial” que, com certeza, se formos nos aprofundar nisso, iremos descobrir que ela também assola a escola, quem sabe?! O Puma? Deixa pra lá, enquanto ele ataca animais ainda estamos no lucro.
O respeito e a valorização que recebemos desta turma se reflete no aumento de salários deles, nas diárias, no impedimento da licença gestante de 6 meses. Sei lá também, com a crise, tendo que aumentar a remuneração de tantos funcionários... podendo reajustar a de meia dúzia, alguns já saem no lucro. E onde está o respeito?!
Já sei, faltou a assembléia do SIMCA porque estava na Rua da Cidadania, afinal CIDADANIA E RESPEITO vivem juntas, certo?!
Que engraçado, enquanto fazemos piadas esquecemos do novo plano de carreira, que já está prontinho, certamente na gaveta do nosso prefeito. O difícil acesso, o 14º salário, as licenças, o turno de folga e vários outros pontos que já esqueci porque estava me cuidando do Puma, da crise, etc.
Gente, falo tudo isso porque reflito muito sobre tudo, só não consigo fazer mais porque não posso. Esta é minha arma nessa batalha tão injusta: a palavra dita por alguém que tem esperança. Ainda avisto uma luz no fim do túnel e convido a todos para vislumbrarem comigo, enquanto tivermos forças para abrirmos os olhos e também ajudar nossos colegas a fazê-lo.
O Autor deste texto pediu para não ter sua identidade revelada!
Do Professor que ainda quer fazer a diferença
Respeito é algo que deveria ser inato ao ser humano. Deveria nascer e morrer com cada cidadão, deveria ser de dentro pra fora e de fora pra dentro. Deveríamos ser respeitados, ao invés de sermos “peitados”. Deveria, deveria... o dever no sentido de obrigação não deveria ser questionado. É um dever o aluno ir para a escola aprender, é um dever o professor trabalhar as horas que lhe foram acertadas e é dever dele passar o conhecimento para o aluno sem este descumprir com o seu dever.
Está tudo tão invertido, os papéis da família mudaram, pais não agüentam mais seus filhos, não sabem o que fazer com eles e por isso mandam para a escola para se “livrar dessa incomodação” (e é com estas palavras que já ouvi muitos pais).
Sou professor, me dediquei quase 20 anos da minha vida para adquirir conhecimento necessário para repassar o que aprendi e me encontro numa situação, que é semelhante a de muitos colegas, senão de todos, que está cada vez mais sugando minha alegria e meu prazer de ensinar.
Me perguntaram quantas horas trabalho: 40 ou 20? Respondi: - Nenhuma das duas, ou as duas juntas! Porque nunca calculei as horas que fico pensando numa estratégia para levar meus alunos ao aprendizado ou o tempo que deixo de conversar com minha família, tendo que corrigir muitas provas, ou as horas que passo diariamente sentado planejando aula, ou até mesmo o tempo que gasto indo até a farmácia comprar remédio para o mal que me acometeu na escola. Os sábados? Deveriam entrar nas 40 horas porém seria, no nosso caso, como horas extras, onde receberíamos para isso, porém esse privilégio também não temos. Faremos o que neste dia que deveria ser de folga? Apenas serão feitos “eventos: CIENA, FESTCAL, TORNEIOS”! Nada que canse, afinal cuidar um dia inteiro daqueles considerados “incomodação” é pouco. Então não participamos! Mas também não vamos esquecer dos aclamados “200 dias letivos”!
O que? Se meu trabalho acaba as 17h? imagina, pra quem trabalha na cidade até pode ser! E se começa às 8h? Tá bom, vou de jatinho até a escola que fica a 10, 20, 30km da cidade. Bem, mas trabalho na cidade, ganhando o mesmo salário daqueles coitados que tem que ir para o interior (porque hão de convir comigo que professor do município só houve falar em “difícil acesso” quando chove e a estrada está intransitável) recebo meus alunos atrasados, porque o pai saiu de casa ou porque brigou com a mãe, ou entrou na droga e não consegue sair enfim, a cidade já perdeu muitas qualidades que o interior ainda insiste em perder. E o estatuto da criança e do adolescente está aí... para protegê-los o suficiente para que nem os pais possam dar umas chineladas
E o respeito das pessoas que indiretamente fazem parte da escola? Falamos de nossos gestores canguçuenses, vereadores, administração municipal, ou quem sabe a grande vilã da atualidade: “A crise mundial” que, com certeza, se formos nos aprofundar nisso, iremos descobrir que ela também assola a escola, quem sabe?! O Puma? Deixa pra lá, enquanto ele ataca animais ainda estamos no lucro.
O respeito e a valorização que recebemos desta turma se reflete no aumento de salários deles, nas diárias, no impedimento da licença gestante de 6 meses. Sei lá também, com a crise, tendo que aumentar a remuneração de tantos funcionários... podendo reajustar a de meia dúzia, alguns já saem no lucro. E onde está o respeito?!
Já sei, faltou a assembléia do SIMCA porque estava na Rua da Cidadania, afinal CIDADANIA E RESPEITO vivem juntas, certo?!
Que engraçado, enquanto fazemos piadas esquecemos do novo plano de carreira, que já está prontinho, certamente na gaveta do nosso prefeito. O difícil acesso, o 14º salário, as licenças, o turno de folga e vários outros pontos que já esqueci porque estava me cuidando do Puma, da crise, etc.
Gente, falo tudo isso porque reflito muito sobre tudo, só não consigo fazer mais porque não posso. Esta é minha arma nessa batalha tão injusta: a palavra dita por alguém que tem esperança. Ainda avisto uma luz no fim do túnel e convido a todos para vislumbrarem comigo, enquanto tivermos forças para abrirmos os olhos e também ajudar nossos colegas a fazê-lo.
11 comentários:
Com certeza assim como esse professor anônimo , dezenas e porque não dizer centenas de professores municipais sentem a mesma coisa, sofrem as mesmas angustias e vivem os mesmos dramas. Onde estão nossos governantes? nossos representantes?nunca foram alunos? não têm filhos para estudar ? conhecem a realidade das nossas escolas? sabem o sacrifício que alguns professores passam para desenvolverem seu trabalho? uma coisa eu sei: eles lêem esse blog
Con cordo com vc que eles lêem este blog, e te digo, devem ficar rindo de nós, os bobos da corte, pq para eles o que interessa hj é o poder e o bolso cheio no final do mês, isso é revoltante, mas é a realidade, mas tenham certesa de uma coisa: somos muito mais dignos que qualquer um deles, podemos andar de cabeça erguida na rua, pq somos verdadeiros guerreiros, enquanto eles, são pessoas que não tem sentimentos, são pessoas vazias que ao colocarem a cabeça no travesseiro a consciência deve pesar, pq são sem escrúpulos e sem dignidade, não merecem a mínima consideração nossa.
ESTA DE PARABENS QUEM ESCREVEU.COLOCOU O QUE MUITOS TEM VONTADE DE FALAR ,MAS NÃO FALA. PARABÉNS MESMO.
ESTA DE PARABENS QUEM ESCREVEU.COLOCOU O QUE MUITOS TEM VONTADE DE FALAR ,MAS NÃO FALA. PARABÉNS MESMO.
Me preocupo muito com o futuro de nossos jovens...infelizmente a cultura esta abandonada por aqui...tiraram as pessoas experientes da casa de cultura e entregaram nas mãos de uma desvairada que o que menos tem é cultura...e os "Ciclos" então.....nem se fala....uma Geração Perdida, como ouvi alguem dizer outro dia...Qdo as autoridades vão dar valor à CULTURA e a EDUCAÇÃO, valorizando os professores e colocando as pessoas certas nos lugares certos ????
Trocaram as moscas ( ou as bostas ) só falta fecharem a casa d cultura agora, pq o museu e a biblioteca já estão sem direção....
Parabéns ao autor do texto...foi um depoimento emocionante de quem vivencia a realidade todos os dias!
Acredito que um dia, quando trocarmos este governo, as coisas possam começar a melhorar.
Parabéns pela iniciativa!!!
Os professores de canguçu estão sendo massacrados e o autoritarismo anda a solta.Pior que ele vem de pessoas q são professores e um dia terão de voltar para a sala de aula.
Parabéns ao autor do texto. Pela primeira vez vejo alguém lembrar de daqueles que trabalham na zona rural e que começam a jornada de trabalho bem mais cedo que os demais servidores e chegam em casa bem mais tarde também, sem nehuma vantagem por isso. Sem falar naqueles que se deslocam de outras cidades para trabalhar em Canguçu.
Parabéns!!!
Esse é um desabafo meu tbém como Professora e quase perdendo a esperança....pois não existe uma luz no fim do tunel para nós, agora a nova secretaria de produção e p/ nós Funcionarios Publicos é a crise mundial.
Parabéns Colega!!!!
E Parabéns ao Blog que podemos nos expressar anônimamente sem repressão do executivo.
E o Blog do Diego deve continuar não aceitando os comentarios anônimos e não há necessidade de enquete pois foi decisão dele p/ ter sengundo ele credibilidade o site, mas pelo jeito ta querendo voltar atrás não está tendo é eleitores.
concordo com todos voçês
parabens
Esta de PARABÉNS o autor do texto...é muito mais que emocionante e verdadeiro esse desabafo de professor que passa a vida toda envolvida com a educaçãodas pessoas sem ao menos ser reconhecido.
Mas esperança é o que nosresta e com certeza a hora de mudar tem que chegar!
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