O blog "Amigos de Pelotas" traz um belo texto sobre os comentários anônimos, tão recriminados por muitos, mas único instrumento de manifestação sem represália. O texto de Marcos Macedo sintetisa muito bem a importância dos comentários. Leia o texto que tomamos a liberdade de reproduzir: 
" Diversos leitores do blog recriminam os comentaristas anônimos por não revelarem sua identidade. Gostaria de defender a importância do comentário anônimo, recorrendo a três episódios literários.
Em primeiro lugar, o coro do teatro grego. Como atestam as peças de Sófocles e Ésquilo, o coro era um personagem coletivo da Tragédia, formado por um grupo de atores que se mantinham afastados da ação principal da peça, tendo a função exclusiva de comentar os acontecimentos dramáticos.
O coro fornece conselhos, exprime opiniões, coloca questões, critica valores de ordem social e moral. É o remoto antepassado do comentário anônimo, com uma diferença importante: expressava um sentimento coletivo, cuja verbalização é facilitada pela proteção da multidão, como hoje ocorre com as manifestações das torcidas de futebol.
o contrário, o comentário anônimo no blog é solitário, às vezes dissonante, como nos Lusíadas é o discurso do velho do Restelo. Esse personagem anônimo, “que ficava nas praias, entre a gente”, assistindo à despedida das naus portuguesas, é a única voz destoante no épico poema.
Após zarparem os navios, levantou o velho a voz que os marinheiros claramente ouviram, para discursar contra as navegações: “Ó glória de mandar, ó vã cobiça / desta vaidade a que chamamos fama /(...) A que novos desastres determinas / de levar estes reinos e esta gente?” Expressava ele o sentimento do povo simples português que suportava as navegações, cujo proveito ficava concentrado em alguns nobres e na realeza. A voz do velho do Restelo é contra o discurso dominante, e só pôde se pronunciar livremente porque estava a salvo na praia. O que aconteceria se exercesse sua crítica ao alcance dos ilustres comandantes das naus portuguesas?
A resposta pode estar em um episódio da Ilíada. Tersiste, “o homem mais feio que fora a Tróia”, homem do povo, resolve na assembléia dos gregos censurar o rei Agamenon, de quem todos estavam desgostosos, porque lutavam e apenas Agamenon beneficiava-se dos despojos.
Eram tempos aristocráticos, pré-democráticos, e, mesmo sendo porta-voz de um sentimento coletivo, Tersiste é repreendido por Ulisses e apanha dele: “Não queiras sozinho lutar contra reis”. Tersiste “sentou-se, aterrorizado, enxugou os olhos, olhando em torno, assustado, sob o peso da dor”.
Tersiste não teve nem a imunidade do comentário anônimo do velho do Restelo, nem a proteção do coro grego. Foi uma voz subversiva calada pela intimidação. E se ele pudesse ter postado seu discurso como comentário anônimo num blog?"

" Diversos leitores do blog recriminam os comentaristas anônimos por não revelarem sua identidade. Gostaria de defender a importância do comentário anônimo, recorrendo a três episódios literários.
Em primeiro lugar, o coro do teatro grego. Como atestam as peças de Sófocles e Ésquilo, o coro era um personagem coletivo da Tragédia, formado por um grupo de atores que se mantinham afastados da ação principal da peça, tendo a função exclusiva de comentar os acontecimentos dramáticos.
O coro fornece conselhos, exprime opiniões, coloca questões, critica valores de ordem social e moral. É o remoto antepassado do comentário anônimo, com uma diferença importante: expressava um sentimento coletivo, cuja verbalização é facilitada pela proteção da multidão, como hoje ocorre com as manifestações das torcidas de futebol.
o contrário, o comentário anônimo no blog é solitário, às vezes dissonante, como nos Lusíadas é o discurso do velho do Restelo. Esse personagem anônimo, “que ficava nas praias, entre a gente”, assistindo à despedida das naus portuguesas, é a única voz destoante no épico poema.
Após zarparem os navios, levantou o velho a voz que os marinheiros claramente ouviram, para discursar contra as navegações: “Ó glória de mandar, ó vã cobiça / desta vaidade a que chamamos fama /(...) A que novos desastres determinas / de levar estes reinos e esta gente?” Expressava ele o sentimento do povo simples português que suportava as navegações, cujo proveito ficava concentrado em alguns nobres e na realeza. A voz do velho do Restelo é contra o discurso dominante, e só pôde se pronunciar livremente porque estava a salvo na praia. O que aconteceria se exercesse sua crítica ao alcance dos ilustres comandantes das naus portuguesas?
A resposta pode estar em um episódio da Ilíada. Tersiste, “o homem mais feio que fora a Tróia”, homem do povo, resolve na assembléia dos gregos censurar o rei Agamenon, de quem todos estavam desgostosos, porque lutavam e apenas Agamenon beneficiava-se dos despojos.
Eram tempos aristocráticos, pré-democráticos, e, mesmo sendo porta-voz de um sentimento coletivo, Tersiste é repreendido por Ulisses e apanha dele: “Não queiras sozinho lutar contra reis”. Tersiste “sentou-se, aterrorizado, enxugou os olhos, olhando em torno, assustado, sob o peso da dor”.
Tersiste não teve nem a imunidade do comentário anônimo do velho do Restelo, nem a proteção do coro grego. Foi uma voz subversiva calada pela intimidação. E se ele pudesse ter postado seu discurso como comentário anônimo num blog?"
3 comentários:
Pode ser que com esse texto, os que se sentem intimidados pelos anônimos, repensem suas atitudes.
Nossa, que viagem.. não consegui entender a relação entre a cambada de anônimos covardes (que mais me lembram aqueles velhos fracassados falando mal de tudo e todos no boteco, tomando pinga) e a historinha grega... cada uma nessa net!!
o nosso prefeito esta se deixando levar por alguns secretários, pois tem muita gente dentro da pref. em desviu de função e muita gente cedita para ganha mais é uma vergonha irmãos mandando em irmão para ganha gf. e ccs q. não sabe nada e gente mordendo dentro do serviço publico dando como funcionario destaque uns malandros.
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