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14 abril 2009

Aumenta área de vacinação contra a febre amarela no Estado‏

A constatação de bugios mortos por febre amarela, com comprovação laboratorial, em Caçapava do Sul, Cachoeira do Sul, Ipê, Pinhal da Serra e São José do Ouro levou a Secretaria Estadual da Saúde a ampliar a área de vacinação no Estado. Com isso, chega a 272 o número de municípios em área de risco, perfazendo 25% da população gaúcha.
Entram na área de risco os municípios de Butiá, General Câmara, Minas do Leão, Pinheiro Machado, Santana da Boa Vista, Antônio Prado, Boa Vista do Sul, Campestre da Serra, Ipê, Protásio Alves, Cacique Doble, Machadinho, Bagé, Encruzilhada do Sul, Pantano Grande, Vale Verde, Imigrante, Teutônia e Westfalia
Devem ser vacinados prioritariamente moradores das áreas rurais e, a seguir, toda a população acima de nove meses de idade, que não tenha sido imunizada nos últimos dez anos e não apresente contra-indicações médicas (alergia, doenças graves, gestação e diminuição da imunidade). Quem viajar para essas cidades deve receber a vacina com antecedência de dez dias. Os medicamentos são distribuídos às secretarias municipais de Saúde.
Colaboração: Vinícius Pegoraro.


EM CANGUÇU
Canguçu não se encontra na área de risco de febre amarela, mas deve ficar em alerta e receber a vacina todos os moradores que irão se destinar as áreas com idade acima de nove meses e que não tenham sido vacinados nos últimos dez anos.
O Blog Canguçu em Foco entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal, para pegar informações sobre a atuação da Secretaria de Saúde. Segundo o que foi informado Em Canguçu os vigilantes ambientais estão percorrendo encostas e matas pesquisando o habitat dos macacos e estão analisando larvas do mosquito.

Alerta para a comunidade se achar algum macaco morto, entrar em contato com a Secretaria da Saúde (53) 32529540. Nada foi informado sobre existência ou não de vacinas e se as mesmas estão disponíveis na Secretaria.

A Culpa é dos Bugios????
A febre amarela é uma doença infecciosa causada por um
vírus que é transmitido por mosquitos. Ela possui dois tipos: a febre
amarela urbana, erradicada do Brasil por volta da década de 1960, e a
febre amarela silvestre. Os vetores (agentes responsáveis pela
transmissão) da forma silvestre são mosquitos dos gêneros Haemagogus e
Sabethes, enquanto a forma urbana pode ser transmitida pelo Aedes
aegypti, o mesmo vetor da dengue.

A febre amarela silvestre já provocou a morte de algumas pessoas e de
muitos bugios em uma extensa área do Rio Grande do Sul desde o final
de 2008. No entanto, ao contrário da maioria das pessoas, os bugios
são extremamente sensíveis à doença, morrendo em poucos dias após
contraí-la. Esses macacos já estão ameaçados de extinção no Estado
devido à destruição de seu hábitat natural (as florestas), à caça e ao
comércio ilegal de mascotes.

Infelizmente, os bugios também estão sendo vítimas da doença e da
falta de informação da população. Inúmeros relatos indicam que
habitantes das regiões de ocorrência do bugio-preto e do bugio-ruivo
estão matando os animais, principalmente por envenenamento, por medo
do avanço da doença.

Além de tornar mais crítico o estado de conservação desses animais,
essa atitude é extremamente prejudicial para o próprio homem. A morte
de bugios por febre amarela alerta os órgãos de saúde locais sobre a
circulação do vírus na região, os quais promovem campanhas de
vacinação da população humana, como se tem observado em quase 200
municípios do Estado. O Ministério da Saúde considera esses macacos
importantes “sentinelas” da circulação do vírus. Portanto, os bugios
são nossos “ANJOS DA GUARDA”! Se eles forem mortos pelo homem,
descobriremos que a febre amarela chegou a determinada região apenas
quando as pessoas contraírem a doença. E talvez já seja tarde para
alguns (ou muitos)...

Além de NÃO transmitirem à doença para o homem, os bugios NÃO são os
responsáveis pelo rápido avanço da doença no Estado. Eles são as
principais vítimas. As mudanças climáticas e a degradação ambiental
provocadas pelo homem são as principais responsáveis pelo recente
aparecimento de inúmeras doenças infecciosas no Estado. Especialistas
acreditam que o avanço da doença tem sido facilitado pelo deslocamento
de pessoas infectadas ou pela dispersão dos mosquitos ou outro
hospedeiro ainda desconhecido.

Pergunto: “Você mataria o seu anjo da guarda?”

Dr. Júlio César Bicca-Marques
Professor Titular
Grupo de Pesquisa em Primatologia
Faculdade de Biociências/PUCRS
Colaboração: Cristian Iribarrem.

Um comentário:

Anônimo disse...

bacana a materia de cocientização...afinal os animais tambem sofrem!