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04 fevereiro 2009

Cuidados com a Automedicação

Uso Racional de Medicamentos



Durante a Conferencia Mundial sobre o Uso Racional de Medicamentos em Nairobi, definiu-se: “Existe uso racional quando os pacientes recebem medicamentos apropriados a suas necessidades clínicas, em doses adequadas às particularidades individuais, por período de tempo adequado e com baixo custo para sua comunidade”.
Baseado nessa definição pode-se dizer que um dos grandes problemas do uso irracional dos fármacos é a automedicação, como dizem aqui no Brasil “de médico e louco todo mundo tem um pouco” e este dito acaba se tornando realidade a partir do momento em que nos deparamos com fatos que se tornaram corriqueiros em nossas vidas como, por exemplo, a utilização do mesmo remédio do irmão, do pai ou até mesmo do vizinho. É por este motivo que o brasileiro é considerado um “mestre” em se medicar, mesmo não tendo o devido conhecimento a respeito do medicamento que ira utilizar e assim podendo causar um risco a sua própria vida e o encarecimento no tratamento da saúde. Exemplo prático desse aumento de custo no tratamento da saúde é o uso desmedido de antibióticos, que causa a chamada resistência microbiana trazendo não somente repercussões individuais (ineficácia terapêutica, efeitos adversos e maior custo), como afetam a população geral por meio dos seus efeitos coletivos sobre a ecologia microbiana, levando a necessidade do desenvolvimento de novos fármacos, elevando assim o custo dos tratamentos.
Uma das principais causas do uso irracional dos medicamentos é a forte pressão exercida pelos fabricantes nos meios de comunicação, reforçando a idéia do poder mágico dos fármacos. Mesmo a publicidade sob a prescrição medicamentos sendo aceita legalmente somente nos Estados Unidos e Nova Zelândia, mundialmente há um crescimento rápido dessa prática. ¹
Levando em conta que todo o medicamento tem efeitos colaterais e a prescrição médica é individualizada, podemos dizer que estamos nos colocando em uma situação de alto risco praticando a automedicação, já que o medicamento não age diretamente na área com problemas e passa por vários outros locais no organismo.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece a automedicação como um problema até certo ponto inevitável e em estudo datado de 1986, aponta os riscos inerentes, aos quais devemos estar atentos:
» Diagnóstico incorreto do distúrbio;
» retardamento do reconhecimento do distúrbio com possível agravamento;
» escolha de terapia inadequada;
» administração incorreta do medicamento;
» dosagem inadequada ou excessiva;
» uso excessivamente curto ou prolongado;
» risco de dependência;
» possibilidade de efeitos indesejados sérios;
» possibilidade de reações alérgicas;
» desconhecimento de possíveis interações com outros medicamentos;
» armazenamento incorreto ou excessivamente longo dos medicamentos;

- Referência:
¹ Wannmacher, Lenita; Cardoso Ferreira, Maria Beatriz. Farmacologia Clínica para Dentistas. 3ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.

Colaboração: Vinicius Pegoraro

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