Na última semana, divulgamos o relato do Leitor Géder Barbosa, preocupado com os rumos de nossa Semana Farroupilha. O Meu amigo e leitor Fábio Mattos, que também colabora com informações ao nosso blog, também encaminhou seu posicionamento sobre está questão, que segundo ele precisa ser debatida urgentemente para que possamos reverter o quadro em que está jogada nossa Semana Farroupilha. A seguir, o email de Fábio:
Caro Augusto!!!
Tenho sido atento leitor de teu blog e, tendo lido a manifestação do amigo e tradicionalista Géder Barbosa acerca da Semana Farroupilha, creio que o debate deveria ser ampliado e, na condição de ex-Coordenador da 21ª RT por sete vezes e atual Conselheiro do MTG no terceiro mandato, tenho a obrigação de tecer alguns comentários acerca do assunto.
Primeiro quero dizer que comungo de posição semelhante a do Geder e venho fazendo esse alerta há pelo menos seis anos, mas infelizmente não tenho sido ouvido, até porque venho notando que – para vários - é mais fácil deixar as coisas como estão do que trabalhar para melhorar.
Segundo, necessito dizer que não considero a Semana Farroupilha de Piratini como algo que sirva de modelo. Aquele é um evento que tem bastante divulgação, que chama muito a atenção e que contrata “grandes” grupos musicais. Mas que não possui um bom ou pelo menos razoável conteúdo de “tradicionalidade”. Ou seja, é muita festa e pouco conteúdo e pouca preocupação com a cultura do Rio Grande do Sul.
Citaria, para não fugir ao desafio, como uma organização mais bem planificada, que tem ouvido o tradicionalismo organizado e que tem injetado bastante dinheiro na Semana Farroupilha, as festividades de Arroio Grande, que vem melhorando a cada ano e neste inaugurou um galpão do estilo do galpão do Reponte, em São Lourenço do Sul, para que ali sejam realizadas as apresentações e os shows.
Terceiro, saliento que em Canguçu ainda existe mais preocupação com a parte cultural, há maior engajamento com as escolas – e digo isso porque o aproveitamento das escolas é maior que nos outros lugares, que possuem o intercâmbio mas os resultados são pífios.
No entanto, também verifico que existe um descaso absoluto com a Semana Farroupilha; que ela vem crescendo igual a “cola-de-cavalo” e que estamos muitíssimo mal de organização nessa área. Inicia-se que neste ano o assunto foi tratado após os primeiros dez dias de agosto, como se fosse possível organizar algo em tão pequeno espaço de tempo. Passa-se pelo fato de que na Secretaria de Cultura é mais fácil financiar esporte do que a área cultural... e a área cultural tradicionalista ainda é um pouco pior.
Há muitos anos venho afirmando que é impossível termos um público razoável nas rondas se quando inicia-se a empolgação para assisti-las o local do evento sai da cidade e vai para o interior, especialmente em locais que não cabe uma mínima quantidade de pessoas. Alie-se a isso que torna-se dificultoso para que não dispõe de veículo conseguir acompanhá-las, quiçá à noite.
Outro entrave é a insistência que as entidades tem em organizar rondas em que há um turbilhão de grupos de dança para se apresentar. Em face disso ocorre o que chamo de balão de ensaio, parece que existem muitas pessoas na ronda, mas na verdade são poucos – o número maior é de pais das crianças que ali estão se apresentando. Fora isso tem a seguinte situação: como são todas as invernadas a se apresentarem em todas as rondas, indo a uma ou duas, torna-se desnecessário ir nas demais, pois se assistirá apresentações idênticas.
Creio que seria imperioso que em Canguçu se iniciasse um movimento para formar um parque de eventos – qualquer cidadezinha de pouquíssimos recursos tem um – e nesse local houvesse a concentração das apresentações, dos shows e da parte em que o apelo de público seja maior. Nesse local poderia ser pensado uma cancha para festas campeiras e muitas outras estruturas para grandes eventos.
Para as entidades – especialmente aquelas que desejarem fazer sua ronda em seus domínios – fica à liberalidade de que o façam, quantos dias quiserem e tendo habilidade para atrair o público, angariem dinheiro.
Indubitavelmente não estaríamos dividindo, mas multiplicando o número de pessoas que acompanharão os Festejos Farroupilhas: no interior as entidades, com ronda e com o desenvolvimento dos trabalhos culturais, especialmente com as escolas; e na cidade um local definido para todas as noites haver apresentações e shows e demais atrações programadas.
Além disso, acho de fundamental importância que os Festejos do Dia do Gaúcho tenham a participação das demais etnias formadoras não só de Canguçu, mas também do Rio Grande do Sul, e que venham ao desfile os colonos alemães e italianos com suas culturas e tradições, o negro, de igual forma e principalmente as escolas. O que impede isso? Nós necessitamos de um diferencial para atrair turistas. Fazer desfiles em que só se enxergará cavalo estercando na volta da praça não atrairá uma pessoa sequer de fora da cidade para assistir (os nossos cavalos são iguais aos cavalos de qualquer cidade). Partir para o mesmo desfile de Piratini – que tem, aqui sim, excelência em organização – forçará uma disputa inglória para nós. O que necessitamos é de um diferencial e creio que esse diferencial está em agregar as culturas atuantes e pujantes que temos, incluindo as escolas como forma de plantarmos novas sementes de cultura tradicionalista.
Muito mais poderia escrever sobre esse assunto e até esmiuçar mais cada ponto aqui observado, mas minha intenção neste momento é ampliar o debate que parece-me que está em boa hora e é mais do que necessário.
Um forte abraço,
Fábio Braga Mattos – Conselheiro do MTG
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